OUTROS TEMAS: Grande Museu Egípcio - conheça os tesouros de Tutankamon...
Levou praticamente 20 anos a ser construído e ergue-se hoje no planalto de Gizé como o maior museu do mundo. Visitámos este espaço, inaugurado totalmente em Novembro de 2025, e que revela alguns dos maiores tesouros da civilização do Antigo Egito.
Desde logo, o Grande Museu Egípcio (GEM) revela a sua perfeição arquitectónica, uma vez que foi concebido para se alinhar de forma precisa com as pirâmides Quéops, Quéfren e Miquerinos, através de um eixo geométrico cuidadosamente calculado que liga a sua estrutura aos cumes das três Grandes Pirâmides. A sua forma em cunha enquadra e preserva vistas contínuas destes monumentos antigos, criando uma ponte simbólica entre o passado e o mundo recente do Egito.
O que precisa saber sobre o Grande Museu Egípcio?
Apresentado como um dos projectos culturais mais ambiciosos do século XXI, o Grande Museu Egípcio redefine por completo a forma como olhamos para uma das civilizações mais estudadas do mundo. A sua construção teve início em 2005 e prolongou-se ao longo de duas décadas, reflectindo a escala monumental e a complexidade do projecto. Com cerca de 500 mil metros quadrados, uma área equivalente a mais de 70 campos de futebol, este é o maior museu do mundo, além de dedicado exclusivamente a uma única civilização.
No seu interior, as colecções foram pensadas para oferecer espaço, contexto e leitura histórica às peças, permitindo uma experiência mais imersiva. O museu reúne cerca de 100 mil artefactos que atravessam milhares de anos da história do Egito, desde os primeiros períodos dinásticos até às épocas greco-romanas, incluindo a colecção completa de Tutankamon, provavelmente o faraó, ou rei, mais popular de sempre.
A sua importância não reside tanto nos feitos alcançados em vida, mas sobretudo no extraordinário legado que deixou após a morte. O seu túmulo, descoberto em 1922 por Howard Carter, é o único túmulo do Antigo Egito encontrado praticamente intacto, constituindo uma das maiores descobertas arqueológicas de todos os tempos.
Além disso, dentro do museu, irá deparar-se imediatamente com a colossal estátua de Ramessés II, com cerca de 82 toneladas e mais de 3.200 anos de história, que recebe os visitantes logo no Grande Átrio. Outro elemento de enorme relevância é a Barca Solar do rei Quéops, uma embarcação cerimonial com mais de 4.500 anos, cuidadosamente transferida para o museu através de uma complexa operação de engenharia, considerada um feito notável da arqueologia moderna.
O grande tesouro do museu: a colecção completa de Tutankamon
Apesar da riqueza de todo o acervo, existe uma atracção capaz de justificar, por si só, a visita ao Grande Museu Egípcio: os mais de 5.000 objectos encontrados no túmulo de Tutankamon. Durante mais de um século, estas peças estiveram dispersas por várias instituições egípcias, sobretudo no antigo Museu Egípcio da Praça Tahrir, no Cairo.
A sua reunião no GEM permite, finalmente, observar o conjunto funerário quase da mesma forma como foi encontrado por Howard Carter em 1922, no interior da tumba KV62, no Vale dos Reis. Trata-se de uma oportunidade única para compreender a riqueza, a religiosidade e o simbolismo associados à morte de um faraó da XVIII Dinastia.
Entre os artefactos mais impressionantes encontram-se:
A máscara funerária em ouro maciço: considerada uma das obras-primas da humanidade, a máscara de Tutankamon é composta por cerca de 11 quilos de ouro quase puro e encontra-se decorada com lápis-lazúli, quartzo, obsidiana e vidro colorido. Representa o faraó com os atributos divinos de Osíris e tornou-se o símbolo máximo da civilização egípcia. Tal como a Mona Lisa é para o Louvre, esta máscara é a peça mais icónica de todo o Grande Museu Egípcio;
Os santuários mortuários dourados: poucos visitantes imaginam que o sarcófago do faraó estava protegido por quatro enormes santuários de madeira revestida a ouro, encaixados uns dentro dos outros. O maior deles media mais de cinco metros de comprimento e ocupava praticamente toda a câmara funerária. Para chegar à múmia, os arqueólogos tiveram de desmontar cuidadosamente cada uma destas estruturas, um processo que demorou várias semanas;
Os caixões antropomórficos encaixados: no interior dos santuários encontravam-se três caixões colocados uns dentro dos outros, numa disposição semelhante às tradicionais bonecas russas. O mais impressionante é o terceiro e último caixão, produzido em ouro maciço e com um peso superior a 110 quilos. Através da exposição do GEM é possível perceber toda a sequência funerária concebida para proteger o corpo do rei durante a eternidade;
Tronos, carros de guerra e mobiliário real: o tesouro inclui o célebre trono dourado de Tutankamon, decorado com cenas familiares do faraó e da sua esposa Ankhesenamon. Também podem ser observados vários carros de guerra desmontados, utilizados em cerimónias, caçadas e deslocações reais. A colecção inclui ainda camas, cadeiras desmontáveis, cofres e outros elementos de mobiliário que revelam o elevado nível de sofisticação da corte egípcia;
Joias, armas e objetos pessoais: foram recuperados milhares de objectos do quotidiano do jovem rei, incluindo colares de ouro, pulseiras, amuletos de protecção, sandálias, roupas, jogos de tabuleiro e armas cerimoniais. Entre as peças mais fascinantes encontra-se um punhal fabricado com ferro meteórico, ou seja, metal proveniente de um meteorito que caiu na Terra, um material extremamente raro e valioso há mais de 3.300 anos;
O sarcófago de granito que permanece no Vale dos Reis: existe apenas uma peça fundamental do conjunto funerário que não se encontra no Grande Museu Egípcio. O sarcófago exterior em granito quartzítico permanece no túmulo original, no Vale dos Reis. Devido às suas dimensões monumentais, ao enorme peso e à necessidade de preservar a integridade da sepultura, a sua transferência para o Cairo nunca foi considerada viável.
Ainda é possível ver a múmia de Tutankamon?
Sim. Ao contrário da maioria dos objectos encontrados no seu túmulo, a múmia de Tutankamon também não se encontra no Grande Museu Egípcio. O corpo do faraó permanece na tumba KV62, no Vale dos Reis, em Luxor, onde continua a poder ser observado pelos visitantes numa câmara especialmente preparada para a sua conservação.
É realmente impressionante o fascínio por Tutankamon, que teve um reinado curto de cerca de 10 anos. Subiu ao trono com cerca de nove anos e governou durante uma década marcada pela tentativa de restaurar a religião tradicionalmente poleística do Egito, depois das profundas mudanças introduzidas pelo seu antecessor, Akhenaton.
O jovem faraó morreu por volta dos 19 anos e a causa exata da sua morte continua a suscitar debate entre os investigadores. Ao longo dos anos surgiram teorias que vão desde um possível acidente durante uma caçada até ao homicídio. No entanto, os estudos mais recentes apontam para uma combinação de problemas de saúde, possivelmente agravados pelos casamentos entre familiares próximos, uma prática comum na realeza egípcia. Foram também encontrados vestígios de malária no seu corpo, sendo esta uma das explicações mais plausíveis para a sua morte prematura.
Quando visitar o Grande Museu Egípcio?
Visitar o Grande Museu Egípcio é uma experiência que pode ser realizada em qualquer altura do ano. O complexo dispõe de modernos sistemas de climatização que garantem conforto aos visitantes, mesmo durante os meses mais quentes. Além disso, a sua localização privilegiada junto às Pirâmides de Gizé permite combinar facilmente as duas visitas no mesmo dia, otimizando o tempo passado na capital egípcia.
Ainda assim, para quem pretende explorar não apenas o museu, mas também os jardins exteriores, o planalto de Gizé e outros pontos de interesse do Cairo, a melhor altura para viajar é entre Outubro e Abril. Durante este período, as temperaturas oscilam normalmente entre os 18°C e os 26°C, proporcionando condições muito mais agradáveis para caminhadas ao ar livre.
Quanto custam os bilhetes?
Os bilhetes para os visitantes estrangeiros custam 1.590 libras egípcias (EGP) para adultos, aproximadamente 30 euros. Os estudantes entre os 13 e os 25 anos que apresentem um cartão de estudante válido beneficiam de um desconto significativo e pagam apenas 800 EGP (cerca de 15 euros). O mesmo valor aplica-se às crianças entre os 6 e os 12 anos.
Relativamente ao horário, está aberto:
- Aos domingos, segundas, terças, quintas e sextas-feiras, entre as 8h30 e as 19h. As galerias podem ser visitadas entre as 9h e as 18h;
- Às quartas-feiras e sábados, das 8h30 às 22h, permitindo visitar as galerias até às 21h, uma excelente oportunidade para evitar as horas de maior afluência e apreciar o espaço num ambiente mais tranquilo.
Tente igualmente adquirir o bilhete com antecedência através do site oficial do museu, sobretudo nos períodos de maior procura turística. Desta forma consegue organizar-se melhor para contemplar uma das mais impressionantes atracções culturais do planeta.
Contactos: +351 913 335 560 / nuno.garrido@casaviva.pt / @nuno_miguelgarrido
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