IMOBILIÁRIO: Tectos altos não eram luxo, eram necessidade - o que mudou nas nossas casas...
Façamos um exercício de imaginação: veja-se a entrar num apartamento lisboeta ou portuense, por exemplo, do século XIX. A porta abre-se lentamente e, de repente, o olhar vai subindo, subindo, até se perder num teto a quatro ou cinco metros de altura, adornado por estuques, rosáceas e um lustre que parece flutuar. Mas agora pense que está a entrar num T3 novo localizado numa das nossas cidades: e o tecto está mesmo ali, quase parece ao alcance da mão, a 2,50 ou 2,70 metros, liso, branco — e sem história. A diferença é tão gritante que parece que vivemos em escalas diferentes da humanidade. Quanto mais alto… A verdade é que os tectos altos dos prédios antigos não eram um simples capricho de arquitectos excêntricos — eram, verdadeiramente, a tecnologia de ponta do seu tempo. Vejamos como… No século XIX não havia ar condicionado. Em Lisboa, no Porto ou no Rio de Janeiro os verões podiam (e podem) ser brutais. O expediente mais eficiente que os engenheiros e mestres-de-obras conheciam, por ...