OUTROS TEMAS: Férias de Verão com crianças - cuidados a ter na praia e na piscina...



O Verão pede água. Os miúdos contam os dias para o primeiro mergulho, e muitas das melhores memórias da infância nascem numa tarde de praia ou numa piscina cheia de gritos e chapinhar. É esse prazer que vale a pena proteger, para que os dias de sol terminem sempre em boa memória.

Para que tudo corra bem, há três frentes a cuidar: vigilância, protecção solar e regras dentro de água. Valem na praia e na piscina lá de casa, que no Verão se enche de crianças e se torna um dos pontos mais perigosos da habitação. Este guia reúne o essencial sobre segurança infantil, da praia à piscina do quintal, para ter tudo à mão antes de estender a toalha ou de encher o tanque.

Como proteger crianças na praia?



A protecção começa na escolha da praia e na leitura das bandeiras, a base de toda a segurança das crianças na praia. Com crianças, a regra é ir a uma praia vigiada e ficar dentro da zona balizada. O que dizem as cores:

Verde: mar calmo, é permitido tomar banho e nadar.

Amarela: precaução. Pode molhar-se, mas sem nadar e sem passar a zona da cintura.

Vermelha: proibida a entrada na água, por perigo sério.

Xadrez, preta e branca: praia temporariamente sem vigilância, insegura para banhos.

Listada amarela e vermelha: colocada aos pares, delimita a zona recomendada e vigiada, sem agueiros. A sua posição muda com as marés, por isso confirma-a ao longo do dia.

Roxa: presença de organismos potencialmente perigosos, como medusas.

Depois, há hábitos que tornam o dia mais seguro: 

Montar a base perto do posto do nadador-salvador.

Ensinar as crianças a interpretar as bandeiras e a nunca ir à água sozinhas.

Insistir na hidratação (convém dar água com frequência, mesmo que a criança não peça).

Levar uma marmita com fruta e lanches secos, que saciam e ajudam a beber, e evitar alimentos que se estragam com o calor, como iogurtes, leite ou ovos.

Quanto tempo pode uma criança estar ao sol?



Não é tanto quanto tempo, mas a que horas. A pele das crianças é muito mais fina e sensível do que a dos adultos, e as queimaduras da infância pesam na saúde da pele em adulto. A regra de ouro é evitar a exposição nas horas de maior perigo, entre as onze e as dezasseis, e faseá-la:

Praia de manhã até às 11h no máximo, e regresso só a partir das 16h ou 17h.

- Sombra sempre de preferência com guarda-sol. Cuidado com tendas e iglôs fechados, que podem criar um efeito de estufa e aquecer demasiado lá dentro.

- Roupa clara, leve e que tape braços e pernas nos mais pequenos, mais chapéu de abas, que protege também as orelhas, e óculos de sol com filtro adequado.

- Protector solar em todo o corpo com factor 50 ou 50+, renovado de duas em duas horas e sempre que a criança sai da água, mesmo que seja resistente à água.

Protetor solar e sinais de insolação nas crianças

O protector solar para crianças não é todo igual. Até aos dois anos recomendam-se filtros físicos ou minerais, que criam uma barreira e quase não são absorvidos pela pele. A partir daí, um fotoprotector pediátrico com fator alto. Aplica-o sempre antes de vestir a roupa e reforça-o ao longo do dia.

Mesmo com todos estes cuidados, é importante saber reconhecer uma insolação, que nas crianças surge mais depressa do que nos adultos. Os sinais são claros: pele muito quente e vermelha, dor de cabeça, sonolência fora do habitual, irritabilidade ou recusa em beber.

Se notar estes sintomas, retire de imediato a criança do sol, refresque-a e dê-lhe líquidos. Se não melhorar ou se os sintomas persistirem, procure ajuda médica.

É seguro bebés irem à praia?



Sim, desde que haja cuidados reforçados, porque um bebé não regula a temperatura como uma criança mais velha. Os cuidados com os bebés na praia começam na exposição solar:

Abaixo dos seis meses nada de sol directo. E não se aplica protector solar nesta idade, porque a pele absorve mais e o organismo ainda não elimina bem essas substâncias. Ao contrário do protector solar para crianças mais velhas, aqui a protecção faz-se só com sombra e roupa.

- A piscina também não é solução para um bebé tão pequeno, pelos químicos usados no tratamento da água.

- Hidratação sempre. Se ainda amamenta, o leite materno é a melhor forma de manter o bebé hidratado.

- Passeios nas horas certas ao início da manhã ou ao fim da tarde, e nunca nas horas de calor forte.

Crianças podem usar boias no mar?



Podem brincar com elas, mas com uma ressalva que salva vidas: as boias, os colchões e as braçadeiras de encher são brinquedos, não equipamento de segurança. Dão aos pais uma falsa sensação de controlo e escondem alguns riscos:

No mar arrastam-se com facilidade. Uma corrente pode levar um colchão insuflável para longe em poucos minutos, com a criança em cima.

- Podem virar-se ou esvaziar-se de repente, deixando a criança sem apoio na água.

- Não substituem um adulto ao lado. Nenhum objecto insuflável o faz.

Como evitar afogamentos infantis?



A prevenção do afogamento infantil é, antes de tudo, uma questão de supervisão, porque a maioria dos afogamentos acontece por falta dela, muitas vezes a poucos metros de adultos distraídos. Assente numa regra que não tem excepção e em alguns hábitos:

Vigilância activa e permanente: uma criança na água ou perto dela nunca fica sem um adulto a olhar directamente para ela. Não vale ler nem mexer no telemóvel, nem confiar apenas no nadador-salvador, cujo trabalho é vigiar toda a praia.

Definir quem vigia: em grupos grandes, combine turnos claros, para que ninguém assuma que outra pessoa está a tomar conta.

Estar ao alcance do braço: com crianças pequenas, isto significa dentro de água, ao lado delas, e não sentado na areia.

Saber que o afogamento é silencioso: ao contrário do cinema, uma criança a afogar-se raramente grita ou se debate. Entra em silêncio e tudo se passa em segundos. Se a criança desaparece de vista, o primeiro sítio a verificar é sempre a água.

A longo prazo, a melhor protecção é ensinar a criança a nadar. Também é importante explicar o que é um agueiro: se for apanhada por uma corrente que a puxa para o largo, não deve nadar contra ela em direcção à praia. Deve manter a calma, deixar-se levar e nadar paralela à costa até sair, sinalizando sempre com o braço no ar. Saber nadar numa piscina não é o mesmo que estar seguro no mar. A vigilância mantém-se mesmo com bons nadadores.

Quais os cuidados a ter na piscina com crianças?



Quem tem piscina em casa vive com um risco que a familiaridade tende a esconder, e por isso os cuidados com as crianças na piscina não podem ser menores do que na praia. A maioria dos acidentes na água com crianças acontece em piscinas privadas, muitas vezes fora do horário de banho, quando ninguém está a tomar conta. As barreiras físicas são a protecção mais eficaz:

Vedação com portão: deve fechar e trancar sozinho e envolver toda a piscina, para impedir o acesso de uma criança que se escapou de vista por instantes.

Cobrir a piscina: quando não está em uso, e retirar brinquedos da água, que atraem os mais pequenos.

Esvaziar as piscinas insufláveis: ao fim do dia, porque uma criança pode afogar-se mesmo numa profundidade baixa.

Nunca deixar a criança sem vigilância: dentro de água ou à volta, exatamente como na praia.

Vale a pena combinar com os miúdos regras simples e repetidas até ficarem automáticas: não correr à volta do tanque, não mergulhar de cabeça sem saber a profundidade e só entrar na água com um adulto por perto. Convém ter sempre à mão um telefone e material de primeiros socorros e saber os gestos básicos de reanimação, que fazem a diferença nos minutos que contam. Numa emergência, numa praia vigiada, o nadador-salvador é o primeiro recurso, e o número nacional de emergência é o 112.

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