IMOBILIÁRIO: Preços das casas sobem apesar da quebra nas vendas...
Menos transacções num mercado com preços elevados
O mercado imobiliário português atravessou os primeiros seis meses de 2026 com uma redução do número de transacções, num contexto marcado pela escassez de oferta e pela subida dos preços das casas.
A facturação das principais redes de mediação aumentou, acompanhando a valorização dos imóveis transaccionados e os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) ajudam a explicar esta evolução. No primeiro trimestre de 2026, o preço mediano por metro quadrado pago por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro foi 29,7% superior ao valor pago pelos compradores nacionais.
Esta diferença foi ainda mais expressiva na Grande Lisboa, onde chegou a 34,5%, enquanto no Algarve atingiu 24,5%.
Preços mais altos ajudam a sustentar o negócio
A subida dos preços tem permitido compensar parcialmente a redução do número de vendas. Com cada imóvel a representar um valor de transacção mais elevado, as comissões associadas à mediação podem manter-se ou crescer mesmo quando o volume de operações diminui.
A escassez de habitação disponível continua, por isso, a ser um dos principais factores a acompanhar. A menor oferta limita o número de negócios, mas mantém a pressão sobre os preços num mercado onde a procura continua superior à quantidade de imóveis disponíveis em várias zonas.
O mercado também revela diferenças entre os vários perfis de compradores. Além dos particulares nacionais e estrangeiros, as empresas têm vindo a ganhar peso nas transacções de habitação.
De acordo com o INE, as entidades financeiras e não financeiras pagaram, no primeiro trimestre, um preço mediano de 2.142 euros por metro quadrado, mais 33,8% do que no mesmo período do ano anterior.
Procura estrangeira mantém peso no mercado
Os compradores com domicílio fiscal no estrangeiro continuam a representar uma parcela relevante da procura, sobretudo em zonas com maior procura internacional e nos segmentos de preço mais elevados.
O maior valor pago por estes compradores ajuda a explicar a diferença entre a evolução do número de transacções e o desempenho financeiro da mediação imobiliária. Mesmo com menos operações, negócios de maior valor podem contribuir para aumentar o volume de negócios e a facturação.
Ainda assim, a procura nacional continua a ter um papel central no mercado residencial. Para muitas famílias portuguesas, a subida dos preços tem agravado as dificuldades de acesso à habitação, especialmente num contexto de oferta limitada.
Assim, o primeiro semestre de 2026 deixa um mercado imobiliário marcado por dois movimentos distintos: menos transações, mas valores de venda mais elevados. Enquanto a oferta não aumentar de forma consistente, os preços e a capacidade de angariação de imóveis deverão continuar a ser determinantes para a evolução do sector.
Contactos: +351 913 335 560 / nuno.garrido@casaviva.pt / @nuno_miguelgarrido
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