IMOBILIÁRIO: Transacções de habitação recuam 5,4% mas vendas de casas novas crescem...



O mercado residencial português registou uma redução de 5,4% nas transacções de habitação no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período de 2025, segundo o Spotlight Residential Market H1 2026.

Apesar da descida homóloga, o volume de transacções manteve-se 7,5% acima da média dos primeiros semestres dos últimos três anos.

“Os dados do primeiro semestre mostram um mercado que está numa fase de estabilização. Mesmo com uma descida homóloga nas transacções, o volume permanece acima da média dos últimos três anos. Lisboa e Porto ajustaram a actividade mas mantêm níveis historicamente elevados, enquanto segmentos específicos — como a habitação nova em Lisboa e o high-end — evidenciam uma procura muito activa, com crescimentos que reforçam a confiança dos investidores”, refere Alexandra Gomes, head of research da empresa responsável.

A redução das transacções foi sentida nos dois principais mercados urbanos. A Grande Lisboa registou 22.663 vendas no primeiro semestre, menos 7,1% em termos homólogos. No Porto, foram transaccionadas 12.483 habitações, uma descida de 9%. Em ambas as regiões, os volumes mantiveram-se acima da média dos primeiros semestres dos últimos três anos.

A habitação nova contrariou a tendência de recuo na Grande Lisboa. As vendas deste segmento cresceram 6,6%, para 3.294 unidades, o valor mais elevado da série para um primeiro semestre. Em sentido contrário, as transacções de habitação usada diminuíram 9,1%.

No segmento de gama alta do concelho de Lisboa, as vendas aumentaram 39,2%, para 1.709 unidades, enquanto a oferta disponível caiu 18,7%, contra uma redução de 28,5% na habitação nova.

Os preços mantiveram-se estáveis, com a habitação nova direccionada para o mercado high-end a apresentar um preço médio de 7.692 euros por metro quadrado.

No Grande Porto, a oferta disponível cresceu 9,5% em termos homólogos, para 25.727 imóveis no segundo trimestre. As transacções de habitação nova aumentaram 11%, enquanto as de habitação usada recuaram 16%.

Na cidade do Porto, a oferta diminuiu 4,9%, enquanto as transacções totalizaram 2.669 unidades. Vila Nova de Gaia ultrapassou o Porto em volume de vendas, com 3.249 transacções no semestre.

No crédito à habitação, os bancos concederam 16 mil milhões de euros em empréstimos, mais 19% do que há um ano. A taxa média nos novos contratos situou-se nos 2,93%, acima do mínimo de 2,81% registado em Março.

Os custos de construção voltaram também a aumentar, com a inflação da construção a atingir 6,9% em Maio, o valor mais elevado desde o início de 2023.

Portugal concluiu 27.301 fogos de habitação familiar em 2025, no décimo ano consecutivo de subida e no primeiro deste ciclo em que o número ultrapassou o nível de 2011.

No mercado de arrendamento, Lisboa registou 1.675 contratos no semestre, no terceiro ano consecutivo de crescimento, com a habitação nova a representar 7% do total. No Porto, foram celebrados 387 contratos, o valor mais elevado da série e 8% acima do anterior máximo, registado em 2022. A habitação nova representou 21% dos contratos.

“Há duas coisas a acontecer ao mesmo tempo, e é importante não as confundir. A habitação nova está finalmente a responder em Lisboa: cresceu 6,6% e teve o melhor primeiro semestre de sempre, o que, com os custos de construção a subir 6,9%, reduz o risco de quem compra. No high-end, a lógica inverte-se: as vendas subiram 39,2% com a oferta disponível a cair 18,7%, contra 28,5% na habitação nova”, afirma Rita Bueri, head of residential Lisboa da empresa responsável.

“Lisboa e o Porto não têm um problema de procura. Têm um problema de oferta, e esse não se resolve com o tempo: resolve-se com mais construção. Quem conseguir entregar nos próximos dois anos vai encontrar um mercado à espera”, acrescenta.

Contactos: +351 913 335 560 / nuno.garrido@casaviva.pt / @nuno_miguelgarrido

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