IMOBILIÁRIO: Venda de casas em Portugal volta a cair - subida de preços perde ritmo...



O contexto económico está hoje mais exigente para quem quer comprar casa. As famílias sentem o seu poder de compra a encolher perante uma inflação crescente, altos preços das casas e subida dos juros. E todo este cenário reflecte-se nas transacções. A venda de casas em Portugal está a cair há nove meses, acabando por abrandar a subida dos preços. Ou seja, o custo da habitação continua a subir, mas a menor ritmo. Quem avança com a compra de casa, está a pagar cada vez mais, com preço médio a atingir o novo recorde de 266.475 euros.

“No segundo trimestre de 2026, a taxa de variação homóloga do Índice de Preços da Habitação (IPHab) foi de 16,5%, menos 1,3 pontos percentuais (p.p.) relativamente ao trimestre anterior”, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE) no boletim divulgado esta Terça-feira, dia 22 de Setembro. Este é o segundo trimestre consecutivo em que se observou uma desaceleração dos preços das casas, depois de registar a subida histórica de 18,9% no fim de 2025.

Este abrandamento de preços foi mais expressivo nas casas usadas do que nas novas, embora continuem a crescer mais:

Casas usadas: os preços subiram 18% no segundo trimestre, menos 1,7 p.p. face ao início de 2026;

Casas novas: o custo cresceu 12,3%, menos 0,3 p.p.;

Também a nível trimestral observou-se um abrandamento no crescimento dos preços das casas, passando de 3,8% no início de 2026 para 3,6% na Primavera. E o mesmo se observou noutro indicador: “O IPHab registou uma taxa de variação média anual de 17,7% no segundo trimestre de 2026, menos 0,2 p.p. que o crescimento observado no trimestre anterior”, lê-se no boletim.



Venda de casas em queda há nove meses – mas preço médio atinge máximo

Entre Abril e Junho de 2026, foram vendidas 40.142 casas em Portugal, o que representa uma queda de 6,4% face ao mesmo trimestre de 2025. “Pelo terceiro trimestre consecutivo observou-se uma taxa de variação homóloga de sinal negativo no número de alojamentos vendidos (-8,7% no 1.º trimestre de 2026 e -4,7% no 4º trimestre de 2025)”, destaca o INE. Já face ao início de 2026 sentiu-se uma recuperação nas transacções (+6,4%).

Esta redução anual na compra de casas no país surge num contexto de maior incerteza e de agravamento do poder de compra, o qual está pressionado pelo aumento da inflação (via preço da energia), preços das casas elevados e subida dos juros no crédito habitação. Este cenário tem levado as famílias a ponderar mais antes de avançar com a compra, de acordo com os especialistas.



Mas, no mesmo período, “o valor dos alojamentos transaccionados fixou-se em 10,7 mil milhões de euros, mais 4,2% que em idêntico período do ano anterior”, de acordo com o instituto. Isto quer dizer que as famílias compram menos casas, mas cada vez mais caras. O preço médio das casas vendidas passou para 266.475 euros, tratando-se de um novo máximo histórico.

Embora a queda nas vendas tenha sido similar nas casas novas e usadas, verificam-se diferenças ao nível no capital movimentado: 

Casas usadas: foram vendidas 32.307 unidades (80,5% do total de transacções) no segundo trimestre de 2026, menos 6,6% face há um ano. O valor das transacções das habitações existentes ascendeu a 8,1 mil milhões de euros, traduzindo-se num aumento de 6,1%; 

Casas novas: registaram-se 7.835 vendas (menos 5,7%). Já o valor das transacções de casas novas atingiu os 2,6 mil milhões de euros, reflectindo uma queda homóloga de 1,6%.

A nível geográfico, verificou-se que todas as regiões apresentaram uma redução homóloga no número de casas vendidas. As mais expressivas foram observadas na Região Autónoma da Madeira (-15,2%) e no Algarve (-12,4%), e as menos intensas no Alentejo (-0,8%) e na Península de Setúbal (-2,1%). “No trimestre de referência, com excepção do Algarve e da Região Autónoma da Madeira, nas demais regiões, os valores das transacções de alojamentos continuaram a crescer em termos homólogos”, informa o instituto.



Famílias residentes dominam compra de casa – não residentes afastam-se

A grande maioria das casas foi vendida as famílias, perfazendo 34.935 unidades (o equivalente a 87% do total). Mas também se sentiu um travão anual nas transacções de 7,3%. “O valor das habitações adquiridas pelas famílias ascendeu a 9,3 mil milhões de euros (86,6% do total), 3,6% acima do montante contabilizado no mesmo trimestre de 2025”, lê-se no boletim. As famílias compram menos casas, mas mais caras.

O que também se sente é que maior parte das transacções foram protagonizadas por compradores residentes em território nacional (95,3% do total), isto apesar de também o número de vendas ter caído 6,2%. Este conjunto de transacções totalizou 9,9 mil milhões de euros, resultando num aumento homólogo de 4,8%.

Já os compradores que vivem fora (emigrantes ou estrangeiros) estão a comprar cada vez menos casas em Portugal, uma tendência que já se sente há três anos, desde o fim dos vistos gold para investimento imobiliário e do término do regime para residentes não habituais. Desde Maio deste ano, somou-se outra medida travão: a taxa única de 7,5% de Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) destinada a não residentes que comprem casa em Portugal, sem direito às reduções ou isenções habituais.

No segundo trimestre de 2026, os compradores com domicílio fiscal fora do Território Nacional adquiriram 1.890 alojamentos (4,7% do total), o que representa uma redução homóloga de 10,3%. Também o valor investido na compra de casas por não residentes caiu 3% no último ano para 796 milhões de euros. Mas, ainda assim, o ticket médio cresceu 7,6% para 421.166 euros.

“A um nível mais desagregado, a categoria União Europeia registou 946 transacções, valor semelhante às 944 vendas contabilizadas na categoria Restantes Países, sendo que em ambos os casos, observaram-se reduções homólogas no número de transacções, -14,9% e -5,1%, respectivamente”, detalha o INE.

Contactos: +351 913 335 560 / nuno.garrido@casaviva.pt / @nuno_miguelgarrido

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